Usando a voz
"Temos que assumir a nossa própria voz. É aquele papo, temos que ser sujeitos do nosso próprio discurso, das nossas próprias práticas." - Lélia Gonzalez, 1986
Recordo pouco da minha infância. Lembro que não era muito de brincar, fui uma criança introspectiva e, quando falava, ouvia:
“mas olha que neguinha atrevida!”
Foi um baita gatilho rever essa expressão em um texto da antropóloga e ativista negra Lélia Gonzalez. O texto, publicado no inicio dos anos 80, falava sobre o racismo e o sexismo presente na vida das negras brasileiras. Eu só nasci no final desta década, mas senti que o texto falava de mim, falava comigo.
Me aproximar de teoria feminista negra me ajudou a compreender muito do que vivo e vivi. A minha paixão por estudar esse tema se conecta ao meu propósito de vida: auxiliar pessoas e instituições a reconhecer e combater opressões.
Por isso, todos os meses eu oferto atividades que se conectam com meu propósito de vida. A novidade de 2024 é que teremos cursos gravados!
Princípios básicos em letramento racial: https://forms.gle/jkNJBVjGQiepCyRs5
Raça, gênero e classe: diálogos possíveis entre Lélia Gonzalez e Angela Davis: https://forms.gle/VL3KVAfPBYR73KxN6
Mas calma! Ainda teremos encontros ao vivo, tanto presenciais quanto online. Neste mês teremos a "Compartilha", um encontro gratuito e exclusivo para mulheres negras: https://forms.gle/GqJDVNBi3wtktk2o8
A Compartilha acontece desde o semestre passado e é uma das minhas atividades preferidas! A gente faz uma roda de conversa, ri, chora, se acolhe, toma uma cervejinha… Acontece na Pitéu, uma casa centenária no centro de Fortaleza, e todas as mulheres negras são bem vindas!
Vi e gostei:
A exposição "Festa, Baia, Gira, Cura" de Jean dos Anjos está nos últimos dias! Corre pra ver!
O Podcast “Brennand”, produzido pela Uol, desvela como um homem branco cis hétero e rico consegue se manter tanto tempo livre, mesmo sendo criminoso.
Assisti “Saltburn” e morri de nojo! Não apenas das cenas “exóticas”, mas dos protagonistas que tentam nos manipular e seduzir. Filme bom pra debochar de gente branca doida.
Te vejo mês que vem!



